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Constipação causada por canetas emagrecedoras: um efeito colateral que pode atrapalhar o tratamento.

Publicação 21/07/2025

Desde o início dos anos 2000, os medicamentos chamados GLP-1, popularmente conhecidos como canetas emagrecedoras*, passaram a ser uma das principais opções para tratar o diabetes tipo 2 e a obesidade. Além de ajudarem a controlar o açúcar no sangue e a promover a perda de peso, esses medicamentos também trazem benefícios importantes para o coração, como a redução do risco de morte por problemas cardiovasculares, infarto e AVC. Com a recomendação de uso como tratamento inicial para pessoas com diabetes e alto risco cardiovascular, medicamentos como a liraglutida, a dulaglutida e a semaglutida passaram a ser amplamente prescritos na prática clínica brasileira.1

Com o aumento do uso desses medicamentos, seus efeitos colaterais ficaram mais conhecidos, especialmente os relacionados ao sistema digestivo, como a constipação (intestino preso/prisão de ventre). Nesses casos, o uso de laxantes, junto com ajustes na dose das canetas emagrecedoras, e mudanças no estilo de vida, pode ajudar a manter o tratamento.2,3 Este artigo aborda os principais mecanismos envolvidos na constipação associada ao uso de canetas emagrecedoras, com que frequência ela ocorre, suas implicações clínicas e as principais estratégias para seu manejo.1

Mecanismos que explicam a constipação causada pelas canetas emagrecedoras

A constipação em pessoas que usam canetas emagrecedoras é um efeito colateral relativamente comum e está ligada à forma como esses medicamentos agem no sistema digestivo. Eles diminuem a movimentação natural do estômago e do intestino. Acredita-se que eles atuam tanto por meio do nervo vago (que conecta o cérebro ao sistema digestivo), quanto diretamente nos nervos do próprio intestino. Como resultado, ocorre um esvaziamento mais lento do estômago e uma redução do ritmo intestinal.2,4,5

Do ponto de vista do tratamento do diabetes e da obesidade, esse efeito é positivo, pois aumenta a sensação de saciedade e ajuda a evitar picos de açúcar no sangue após as refeições. No entanto, essa mesma ação pode favorecer o surgimento da constipação.2,6

Além disso, fatores indiretos frequentemente associados ao início do tratamento contribuem para esse desfecho, como:7–11

  • Diminuição do consumo de fibras;
  • Menor ingestão de água;
  • Episódios concomitantes de náuseas, vômitos ou diarreia, com risco de desidratação.

Frequência de constipação associada às canetas emagrecedoras aprovadas no Brasil

A constipação é um efeito colateral comum desses medicamentos, ocorrendo em uma frequência de 3-18% dos pacientes com diabetes e 11-37% em pessoas com obesidade. O início dos sintomas pode ocorrer nas primeiras 16 semanas de tratamento, especialmente nos primeiros 28 dias. Além disso, os sintomas de constipação foram descritos como mais prolongados do que os de outros efeitos colaterais gastrointestinais, persistindo por uma duração mediana de 47 dias em pessoas com obesidade em uso desses medicamentos, o que pode ser atribuído ao caráter mais crônico dessa condição.2,12–14

Segundo informações contidas na bula:7,9,10 

 

Semaglutida

Constipação é classificada como reação adversa comum (≥1% e <10%)

Dulaglutida

Constipação é classificada como reação adversa comum (1%-10%)

Liraglutida

Constipação é classificada como reação adversa muito comum (≥10%)

Impacto clínico da constipação

A constipação associada às canetas emagrecedoras pode comprometer de forma significativa o tratamento do paciente.15 Isso porque a constipação e outros sintomas gastrointestinais podem:1,2,3,7,9–11,15,16,17
 

Diminuir a adesão ao tratamento

Sintomas gastrointestinais que persistem por mais tempo estão entre os principais motivos pelos quais os pacientes deixam de seguir corretamente o tratamento ou ficam insatisfeitos, o que acaba reduzindo os benefícios esperados para o controle do diabetes e da obesidade.
 

Reduzir a qualidade de vida

Sintomas gastrointestinais, incluindo a constipação, apresentam impactos significativos na qualidade de vida relacionada à saúde, incluindo limitações físicas, desconforto persistente e prejuízo no funcionamento diário.
 

Aumentar o risco de complicações em populações vulneráveis

O efeito desses medicamentos de atrasar o esvaziamento do estômago e reduzir a movimentação do intestino exige atenção especial em idosos e em pessoas com condições médicas como gastroparesia (digestão lenta) ou problemas nos rins. Se a constipação não for tratada adequadamente, ela pode evoluir para situações mais graves, como obstrução intestinal, e aumentar o risco de problemas no reto e ânus, como fissuras e hemorroidas.

Manejo da constipação associada ao tratamento com canetas emagrecedoras

Quando a constipação surge em pacientes que usam agonistas do receptor de GLP-1 (canetas emagrecedoras), o manejo deve ser planejado de forma estruturada, personalizada e iniciado o quanto antes. Revisões recentes e consensos de especialistas destacam que estratégias medicamentosas e não medicamentosas podem - e devem- ser combinadas desde o início, com o objetivo de aliviar os sintomas, aumentar o conforto do paciente e garantir que ele continue seguindo corretamente o tratamento.

Dentro das opções disponíveis, os laxantes são uma alternativa eficaz e amplamente utilizada para controlar a constipação associada a esses medicamentos, especialmente quando usados de forma adequada e junto com outras medidas clínicas.2,18

Uso de laxantes como estratégia de manejo4,10,15 

Os laxantes podem ser usados como parte do tratamento da constipação causada pelas canetas emagrecedoras, ajudando a aliviar os sintomas e melhorar o conforto do paciente. O uso deve levar em conta as características de cada pessoa, como idade, função dos rins e presença de outras doenças. Sempre que necessário, os laxantes podem ser combinados com mudanças na dieta e hábitos de vida desde as primeiras fases do tratamento.

Educação do paciente e medidas preventivas4,15 

  • A constipação e outros sintomas digestivos costumam ser temporários, embora muitas vezes durem mais do que náuseas ou diarreia.
  • É recomendável que os profissionais de saúde alertem os pacientes sobre o risco de constipação já no início do tratamento e orientem sobre medidas simples de prevenção, como manter uma dieta equilibrada e hábitos de vida saudáveis.


Intervenções dietéticas e estilo de vida4,15 

  • Ingestão adequada de fibras
  • Hidratação generosa (água, líquidos sem açúcar)
  • Dieta saudável e equilibrada
  • Aumento da atividade física

Conclusão

A constipação é um efeito colateral conhecido das canetas emagrecedoras, causado pela alteração na movimentação do sistema digestivo, e costuma ser mais frequente no início do tratamento.2,7–10,19 Quando não é tratada de forma adequada, pode afetar a qualidade de vida do paciente, dificultar a adesão ao tratamento e, como consequência, reduzir os benefícios esperados dessas terapias.15

Para reduzir esse efeito colateral, é necessário um manejo estruturado, que inclua: educação do paciente, mudanças na dieta e nos hábitos de vida, e o uso de laxantes como complemento. O uso correto desses medicamentos auxilia no alívio dos sintomas, proporciona maior conforto e permite que o tratamento continue de forma eficaz. 2,20 

MAT-BR-2600806-1.0-04/2026

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Referências

*A Opella não vende, endossa ou promove nenhum medicamento agonista GLP-1 específico. Consulte seu médico sobre o manejo adequado do seu tratamento.

  1.  Costa VS, Maia A, Palhares LFN. Efeitos adversos graves no trato gastrointestinal associados aos agonistas de GLP-1 disponíveis no Brasil: uma revisão da literatura. Rev Med [Internet] 2025;104(2). Available from: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1679-9836.v104i2e-227746.
  2. Gorgojo-Martínez JJ, Mezquita-Raya P, Carretero-Gómez J, et al. Clinical recommendations to manage gastrointestinal adverse events in patients treated with glp-1 receptor agonists: A multidisciplinary expert consensus. J Clin Med 2022;12(1):145.
  3. Werth BL, Christopher S-A. Laxative use in the community: A literature review. J Clin Med 2021;10(1):143.
  4. Crespo J, Rodríguez-Duque JC, Iruzubieta P, Morel Cerda EC, Velarde-Ruiz Velasco JA. GLP-1 receptor agonists and gastrointestinal endoscopy: A narrative review of risks, management strategies, and the need for clinical consensus. J Clin Med 2025;14(15):5597.
  5. Jalleh RJ, Rayner CK, Hausken T, Jones KL, Camilleri M, Horowitz, M. Gastrointestinal effects of GLP-1 receptor agonists. Lancet Gastroenterol Hepatol 2024;9(10):957–64.
  6. Meier JJ. GLP-1 receptor agonists for individualized treatment of type 2 diabetes mellitus. Nat Rev Endocrinol 2012;8(12):728–42.
  7. Bula Ozempic [Internet]. [cited 2026 Jan 12];Available from: https://www.novonordisk.com.br/content/dam-v2/nncorp/br/pt/pdfs/bulas/patient/Ozempic_1-5mL_0-25mg_0-5mg_Bula_Paciente.pdf
  8. Wharton S, Davies M, Dicker D, et al. Managing the gastrointestinal side effects of GLP-1 receptor agonists in obesity: recommendations for clinical practice. Postgrad Med 2022;134(1):14–9.
  9. Bula Trulicity [Internet]. [cited 2026 Jan 12];Available from: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?nomeProduto=Trulicity
  10. Bula Saxenda [Internet]. [cited 2026 Jan 12];Available from: https://consultas.anvisa.gov.br/#/bulario/q/?nomeProduto=Saxenda
  11. Lee YY, Kamani L, Piscoya A, et al. Diretrizes mundiais da Organização Mundial de Gastroenterologia: uma abordagem mundial de cascata para diagnóstico e tratamento da constipação crônica [Internet]. Organização Mundial de Gastroenterologia; 2025. Available from: http://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/constipation-portuguese-2025.pdf
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